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SIM Á CORRUPÇÃO!

Você já parou para pensar porque estamos ouvindo tanto falar em dizer não à corrupção?

O nosso cérebro está preparado para o “sim” nas nossas atitudes e jamais para o “não” que a vida, frequentemente nos apresenta.

Tudo que desejamos, queremos, almejamos a curto ou longo prazo, na verdade são “sims” que o nosso cérebro conhece e age segundo esses “sims”. Todas as coisas que queremos, em princípio podemos! No universo dos adultos, na vontade e autonomia de cada um, podemos fazer tudo que desejamos.

O filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, define ética como um conjunto de valores que nós usamos para tomar decisões mediante de três  perguntas: posso? quero? devo? Assim sendo pergunto: você pode se dependurar num trapézio e fazer acrobacias? Talvez possa, mas você quer? Se quer e pode, você deve fazer isso?

Esta equação, se assim podemos chamar, é que vai definir o que chegamos a fazer ou realizar de fato. Porque Sérgio Moro tem sido aplaudido publicamente? Porque passamos horas frente à TV para assistir à votação que resultou em impeachment da então presidente Dilma? Porque a corrupção tem sido tão falada, tão execrada e ao mesmo tempo tão disseminada? Quantos “sims”, os corruptos em larga escala desse país, disseram a si mesmos frente à vantagens polpudas com as quais se tornaram cúmplices?

Certamente seus valores não foram suficientemente capazes de contraporem-se aos “sims” que as oportunidades ofereceram. Onde ficaram os nãos? Estavam escondidos nas contra ordens das situações. Incrível pensar que, diante de interesses e conveniências, o sim emerge com toda força sem nenhuma restrição.

Enorme confusão fazemos quando acreditamos ser livres para fazer o que quiser e o que a nossa vontade ditar. As liberdades somente vão nos dizer com mais clareza que não somos livres quanto pensamos ser. Aliás ser livre trará uma série de imposições contrárias ao sim que podemos colocar em primeiro lugar. Pelo sim ou pelo não, pergunto:

  1. Você imagina um corrupto como uma criança que vai subir na mesa sem ter a noção de que pode cair e se machucar até gravemente?
  1. Você pode imaginar um corrupto como se fosse um adolescente que pensa em morar sozinho porque não tolera seus pais e sua casa e irmãos?

3.  Você imagina um adulto responsável, idôneo, digno e honesto, íntegro quanto ao que lhe pertence e ao que não deve ser objeto da sua cobiça?

Se nas duas questões anteriores começadas por “você” a sua resposta foi “não” e para a terceira você respondeu “sim” então a corrupção não deve estar nas situações e oportunidades, mas no ser.

Até prefiro pensar, talvez a corrupção seja na Alma. No caráter? Sim!