NOSSOS PAIS NÃO ERAM DIDÁTICOS

Nossos pais não precisaram ser didáticos. Se vc parar pra pensar, brincar era simplesmente brincar, nada mais.

Brincar há algumas décadas, era puramente isso. Bastava ir para o quintal e ali estava o parque completo que toda a imaginação infantil pode conceber. Lá estavam o tanque de terra, não de areia, e os trepa trepas com a vantagem de terem nascido ali em forma de árvores como mangueiras, jabuticabeiras, caramboleiras e muitas outras.

Se não fosse possível esse quintal rico de opções, bastava ir pra rua. Nenhum menino tinha bola, mas logo uma surgia fosse feita de meias velhas e trapos ou alguma fruta próxima de ser redonda.

Também as meninas encontravam nos armários de suas mães, e assim como os meninos podiam partilhar os mesmos “playgrounds” materiais que permitiam dar à luz as mais diferentes e coloridas bonecas, vestidos, mantas e tudo o mais.

Pergunto “por quê e para quê seria necessária alguma didática?” frente a uma prateleira imensa de brinquedos para as várias faixas de idade, inteiramente gratuita, disponível para quem quisesse dela fazer uso.

A didática tornou-se necessária a partir do momento em que os quintais acabaram, as ruas ficaram proibitivas, e os professores perderam o lugar de mestres para serem encarregados da moderna educação, a serviço das famílias que não têem mais a função de educarem. Na atualidade a escola, nem ao menos instrui porque os alunos já chegam ostentando as informações muito alem em quantidade e qualidade, se comparadas com aquelas que a pobre escola tem a oferecer, e as famílias não têm como trazer os quintais, as ruas, os morros e os bosques para dentro dos apartamentos.

A pedagogia moderna tenta reinventar a educação que os pais não conseguem praticar simplesmente porque não estão juntos de seus filhos. As famílias carecem de tempo e disponibilidade para poderem ser, em intervalos fugidios, um pouco dos modelos que talvez possam ser referidos num futuro próximo, muito próximo porque a infância voa.

Então, vem o desespero. Os filhos precisam de minutos. Os pais apenas eventualmente os possuem disponíveis. Restou à escola moderna que se desdobra para resumir em quintais improvisados, em festas folclóricas programadas, em ensinamentos ensaiados, fazerem um pouquinho do que talvez, ainda seja possível.

Saudosista, eu?
Em tempo: O meu agradecimento a um pai aflito que me inspirou escrever.

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